Início » pensamentos » Não discuta com um cachorro, você perderá.

Não discuta com um cachorro, você perderá.

19 setembro 2013

 

Eu não sei por que me importo, em algum momento pensarei melhor sobre isso, mas por hora só quero expor minha raiva. Não sei se tem haver com os filmes e desenhos animados que nos ensinam logo cedo que existe “O Escolhido” e que por ele ser o protagonista da história você se identifica com ele e acaba querendo ser tão especial quanto ele e carrega isso por toda a sua vida, sempre se achando e almejando ser O Escolhido, quando na verdade, no mundo real, você será apenas mais um no mundo. Uma pessoa que por mais qualidades que tenha, ainda será tão especial quanto outros tantos. Mas o que me incomoda, não é ter que aceitar não ser especial, é ver pessoas que nitidamente não o são acreditando que são.

Existem pessoas inteligentes, pessoas que independente dos estudos, entendem o mundo a sua volta, porque estão dispostas a entendê-lo. E mesmo que em alguns pontos estejam equivocadas, o que é o normal, não se sentem menores por ter que repensarem seus conceitos, por mais cristalizados que o sejam dentro de si. Gosto de me incluir nesse grupo, não por ser uma pessoa excepcional, ao contrário, sou um medíocre, mas por estar disposto a ouvir e a repensar meus conceitos quantas vezes forem necessárias e por respeitar as diferenças. Existem os fanáticos, pessoas incrivelmente passionais que são inflexíveis, mas que ainda assim é possível que exista entre eles, os que aceitam a existência “inexplicável” de gente que discorde delas e as respeitam. E existem os burros, pessoas com as quais um debate é simplesmente impossível. Pessoas que não mudam suas ideias por nada. Não adianta demonstrar o obvio pra uma pessoa burra, pois ela não entende o exemplo, não entende a intenção, não entende o método e no fim ainda te olha com um profundo desprezo. Devem existir outros tipos de pessoas, mas por hora esses poucos bastam pra expor o ponto que eu quero.

Um cachorro é um animal muito próximo a nós, um ser adorável que você gosta de ter por perto, mas é preciso entender que por mais inteligente que seja, existem limitações e elas devem ser respeitadas. Não se discute política com um cão, pois no máximo ele lhe mostrará que sabe ser fofo abanando o rabo e sorrindo pra você. Não importa quantas horas você leve discursando, no fim ele continuará tão ignorante sobre o assunto quanto antes da conversa. E existem pessoas que são iguais, embora nem sempre tão fofas e adoráveis. Pessoas pelas quais você sente um carinho muito grande, mas com quem não se pode conversar nada além de futilidades, pois quando se entra em qualquer discussão mais consistente os resultados são desastrosos, além de uma total perda de tempo. Você pode pensar em inúmeras pessoas que são assim, elas não me irritam por serem burras, ainda não cheguei no ponto, mas estou quase lá. Eu sou uma pessoa que alguns chamam de NERD por gostar de cultura POP e por ser desenhista, isso é discutível, mas não agora, o importante é saber com que tipo de gente eu costumo lidar. Pessoas que costumam ter alguma cultura e que por isso acabam se achando mais espertas do que as outras que só assistem a novela da globo. E não raramente são eles, os nerds, que acabam criando novos conteúdos de literatura, quadrinhos, música, material cultural em geral. E entre eles (não só entre os nerds) existem os undergrounds, pessoas que tendem a produzir um material cultural fora dos padrões da grande massa. O problema, eu acho que mora no fato de eu gostar de materiais de cultura de massa e underground na mesma medida. Sou capaz de chorar com um filme de hollywood e de ficar maravilhado com um escritor “boca do lixo”. E isso me faz transitar entre os dois meios. Dois meios que raramente se mesclam e quando o fazem criam conteúdos de qualidade deveras questionáveis, mas aí eu já estou me desvirtuando. O caso é que tenho amigos do meio underground que se incomodam com meu lado main stream e se sentem ofendidos por eu ser capaz de me adaptar com tanta facilidade, pois pra eles isso é quase inconcebível. Para certos tipos é como se eu fosse um falso, um vendido, quando na verdade eu sou uma esponja. Estou aqui pra sugar o que me interessa, e às vezes até o que não deveria, afinal, ninguém é perfeito! Isso é visto como uma falha de caráter ou como sinal de falta de personalidade. Eu tenho que lidar com isso, e não é fácil.

Já fui criticado por ter me adaptado ao mundo com muita facilidade. Como se eu não ser um desajustado, como eles, me tornasse um indigno. E me olham com aquele ar de superioridade, como se eu fosse um párea. E o pior, isso é dito a mim em momentos onde eles estão sendo incrivelmente preconceituosos, prepotentes e bocós. Pessoas que acham que só por que inverter valores as tornam muito superiores às pessoas que seguem os valores já predeterminados. Só por que pessoas fazem coisas por hábito, sem nem questionarem a razão daquilo, não são necessariamente inferiores àqueles que resolvem simplesmente fazer o oposto. Talvez o que faça o oposto esteja caindo no mesmo erro que a anterior, isso se não tiver caindo num erro ainda maior. E quando eu digo isso, as pessoas não conseguem sequer respeitar minha posição. Preferem me agredir. Não acho que essa ideologia de oprimido x opressor seja saudável e fomentar isso cada vez mais é escroto, independente do lado que você esteja.

É foda quando te acusam de ser uma puta. Como se trabalhar por dinheiro fosse um demérito. Para certos tipos, se você gosta dessa condição, você é um caso perdido. Se você desenha para um cliente pra sobreviver, é digno, mas se você cobra caro por isso, você é um capitalista filho da puta. Se você cobra barato e faz de má vontade, você é um espirito oprimido e que merece as graças do Senhor, mas se você cobra um valor alto e faz com esmero, você é um porco desprezível e seu destino é o inferno. (Sei que o próximo exemplo é só repetição e a essa altura você já entendeu o que quero dizer, mas eu preciso continuar. Você já leu até aqui, aguenta mais um pouco). Se você é uma prostituta que trepa chorando ou ao menos deixando claro ao cliente que não está gostando daquela condição, a você existe salvação, você é a Maria Madalena e Jesus em algum momento irá te salvar e dar uma condição de vida melhor pra você, pois sua alma é pura. Mas se você tem orgasmos com seus clientes, a você não existirá salvação alguma. Uma vez puta, sempre puta. PORRA! Em que ser uma frigida te torna melhor? Eu não sei por que eu ainda dou atenção a gente assim? Porque eu ainda tento discutir com bestas quadradas? E o pior é quando um miserável desses tem alguma aptidão notória. É nessa hora que o sujeito burro se sente um gênio. Pois se ele pensa o oposto da maioria e ainda tem algum talento, então obviamente ele é o dono da verdade e percebeu algo antes dos outros. Ele é um homem à frente de seu tempo! E por mais que você tente demonstrar a ele que está enganado, mais ele te despreza e quer cagar em você. Mas não raramente, um idiota desses seria incapaz de ler esse texto aqui sem fazer uma confusão dos diabos, pois quando chegasse à linha dez já teria esquecido o que leu na linha dois. O cretino expõe suas sandices pueris, cobertas num involucro de rancor e ignorância. Então você, com calma tenta demonstrar que a coisa não é bem por aí, que ele na verdade não está resolvendo o problema, apenas o está continuando sob outra roupagem, então o imbecil ignora a essência do seu discurso, se apega a uma frase sua, tenta te destruir em cima dessa frase e volta a repetir todo o discurso anterior com novas palavras demonstrando que em momento algum o que você disse o tocou. O que deveria fazer eu? Mandar tomar no cú? Ou apenas me calar e deixar o sujeito se achando o novo grande gênio incompreendido de seu tempo?

Eu não sei por que eu ainda tento discutir com cachorros, mesmo sabendo que no fim eu irei perder. Não que o cachorro seja mais inteligente que eu, mas exatamente por ser burro demais. Talvez eu não seja tão inteligente quanto penso, afinal!

pensamentos

Nenhum Comentário to “Não discuta com um cachorro, você perderá.”

Leave a Reply

(obrigatório)

(obrigatório)