Início » Literatura » Pra começar o ano

Pra começar o ano

22 janeiro 2012

 

Dando continuidade ao meu ultimo post onde eu falava da Paula Parisot… Eu terminei o gonzos e parafusos e sinceramente gostei bastante. Fiquei bem satisfeito e recomendo. Ela não tem muito haver com o Rubem Fonseca. Não é bruto, não é rápido, nem longo. Ela tem um bom “timing”. Irei atrás de seu primeiro livro o “Dama da solidão”, de contos, para saber se é tao bom quanto. Tenho boas expectativas.

 

Já em 2012 eu voltei a ler o meu, até então em “stand by”, O herói de mil faces do monstro Joseph Campbell. É uma leitura deveras interessante e muito agradável durante um bom tempo, mas da metade pro final vai ficando cansativo, por isso fiquei um bom tempo sem lê-lo e até hoje não o terminei, mas pretendo seguir agora até o fim. Eu ja li o Poder do mito e seu respectivo documentário, ambos fantásticos.

As pessoas sempre vendem o trabalho do Campbell quase como se fosse uma fórmula de se construir histórias. Um manual do escritor. E isso sempre me causou uma péssima impressão. Não gosto dessa ideia de que existam manuais de se contar uma boa história. Acho que o escritor precisa ser autêntico. Contar uma história interessante e pronto. Estilo vêm da personalidade e das influências do autor. E antes que digam que isso é uma visão romântica da profissão do escritor, eu faço minhas as palavras do próprio Campbel quando perguntado: “Por que mitos? Por que deveríamos importar-nos com os mitos? O que eles têm a ver com minha vida?

Campbell: Minha primeira resposta seria: “Vá em frente, viva sua vida, é uma boa vida – você não precisa de mitologia”. Não acredito que se possa ter interesse por um assunto só porque alguém diz que isso é importante. Acredito em ser capturado pelo assunto, de uma maneira ou de outra.”

E de fato ele não fez um manual de nada. Ele fez, sim, uma pesquisa séria e apaixonada sobre os mitos e percebeu que em todo o mundo, os seres humanos possuem necessidades e buscam respostas para as mesmas perguntas, e curiosamente acabam descobrindo as mesmas respostas, só que com máscaras diferentes. Então, analisando os mitos, ele foi capaz de perceber e de nos mostrar quando as histórias se convergem e que mesmo sem nunca ler o tal “manual”, inevitavelmente você escreverá uma história que já foi contada antes com elementos dispares, porém equivalentes. É como dizer que todos os seres humanos sorriem quando ficam felizes, independente de sua origem e cultura. É uma característica humana. Claro que quem possui mais conhecimento, acaba tendo um repertório mais rico. Mas você não precisa ler Campbell querendo ser um bom escritor, como se fosse uma bibliografia indispensável para quem quer virar um best-seller. Não leia Campbell buscando isso. Leia buscando o conhecimento sincero e humilde. Você terá uma bela recompensa.

Sim, me tornei um fã da obra do homem. E diferente da maioria dos nerds fanáticos por Campbell por que são fãs de Star wars, creio que sou fã pelos motivos certos. É como ser nerd e ter que idolatrar J. R. R. Tolkien, quase como se você não tivesse opção, e se você demonstra insatisfação os tratam por herege como se Senhor dos anéis fosse uma religião. Admito, e sem vergonha, que nunca li Tolkien e por hora não pretendo ler. E só o farei no dia em que sentir vontade sincera, e não porque é um clássico indispensável e que todos precisam ler.

Bom, por hora é isso.

Literatura

Nenhum Comentário to “Pra começar o ano”

Leave a Reply

(obrigatório)

(obrigatório)