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Pupilas de Rubem

29 dezembro 2011

Estou usando meus últimos dias de 2011 para conhecer as pupilas do Rubem Fonseca, que como já disse algumas vezes é meu escritor brasileiro favorito.

Quando ouvi falar da Patrícia Melo, me foi recomendado seu primeiro livro Acqua toffana, mas uma vez indo ao carrefour fazer compras deparei com dois livros dela incrivelmente baratos e os comprei, eram eles: Jonas, o copromanta; e Inferno.

Inferno é maior e eu ainda tenho preguiça com livros grandes, sim, sou um merda, então ficou pra depois e o Jonas eu queria ler, porém só depois de ler o conto copromancia do Mestre Rubem que é a curiosidade da obra. Os dois livros estão ligados por este conto. Aqui vai a sinopse de Jonas, o copromanta:

Duas paixões, é bom avisar, cultivadas de modo mais que peculiar. Como leitor, o herói de Jonas, o copromanta corrige os
romances que lhe caem nas mãos, quer se trate de Dostoiévski ou Nabokov. E, no terreno da adivinhação, o herói tem seu
próprio sistema, baseado no estudo compenetrado das formas do bolo fecal. Corrigir romances, decifrar fezes: meras esquisitices, até o momento em que, ao ler “Copromancia”, conto de Rubem Fonseca, Jonas chega à certeza alucinada de
ter sido dolorosamente plagiado por seu ídolo. Para piorar as coisas, a realidade resolve dar uma mãozinha à obsessão, e o
escritor passa a frequentar a biblioteca, fazendo (ou talvez simulando?) pesquisas para seu próximo romance.
A partir daí, o enredo mergulha numa espiral vertiginosa de perseguição e loucura. A leitura fervorosa que se transforma
em suspeita de plágio (“Nunca se sabe do que um escritor é capaz”) vai aos poucos roubando a substância do herói: os livros de Rubem Fonseca seriam uma transfiguração da vida de Jonas, ou esta seria um reflexo fantasmagórico do que se passa nos livros do autor carioca?

A ideia eu achei genial, por isso quis lê-lo antes do Inferno. Embora eu tenha emprestado Inferno a uma amiga que também gosta do Rubem e ela se apaixonou. Mas voltemos a mim. Peguei esse livro pra ler pouco antes do Natal e o terminei, estou conseguindo ler livros mais rápido que antes, isso é bom, pois leio devagar. É bacana, mas eu não fiquei completamente satisfeito e no meio tive a péssima impressão de estar sendo enrolado. É um livro pequeno, não tem nem 200 páginas, mas senti que podia ser ainda menor. Mas nada que incomode muito, a sensação passa depois de um tempo. Isso pode ser só a critica de um leitor preguiçoso. Embora eu jamais tenha sentido em Bukowski que estivesse me enrolando. O Rubem também dá uma enrolada nos romances. Afinal é um profissional da prosa curta. O que tenho a dizer então, pra concluir, é que é um bom livro, mas não é fodão. Mas fugindo a lógica, tentarei ler o Acqua toffana em seguida, e não o inferno. A experiência com o primeiro romance da Patrícia é que determinará se continuarei a lhe dar atenção, ou não.

 

Mas o Rubem tem um ponto fraco que são as mulheres. Basta uma garota cercá-lo na rua com um original para ler e ele gentilmente se predispõe a fazer a gentileza. Eu não poderia esperar menos dele. Então surgiu a segunda pupila, Paula Parisot com seu Gonzos e parafusos.

Estou lendo agora, ainda é cedo para fazer uma resenha, mas estou gostando. Estou na página 66 de 170, ainda tem assunto pra rolar…

Uma mulher pode ser pintada de várias formas. Uma mesma pintura pode ser vista por vários ângulos. Isabela é uma mulher como uma pintura de Klimt. Ou seria de Schiele? Ao mesmo tempo linda e grotesca. Uma jovem psicanalista no limite da esquizofrenia, confundindo seus pacientes com personagens, tentando delimitar as fronteiras de seu próprio ser e arrastando-se por um cotidiano frágil no qual cada suspiro é um sufoco. Vive um triângulo amoroso sem amor. Trata da loucura como um efeito colateral da vida. Revê o próprio passado com um desapego suicida, de quem não quer ser condenada à tragédia do dia-a-dia. Em sua segunda obra, e primeiro romance, Paula Parisot traz uma visão bem peculiar do universo feminino, com lirismo, inteligência e um humor por vezes sarcástico e absurdo. Gonzos e Parafusos é um romance sinestésico, ao mesmo tempo violento e delicado.

A sinopse em si não foi o que me atraiu e sim a performance que fez na época do lançamento do livro numa livraria de São Paulo aqui vai um link que fala sobre isso. Vale a pena conferir e inclusive buscar os videos do Rubem que foi visitá-la. Foi uma comoção. Bom, por hoje é isso, não sei se é o último post do ano, é possivel que eu termine o livro ainda em 2011 e provavelmente me despedirei adequadamente, mas por hora já adianto um Feliz 2012 pra você!

Literatura

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