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“SÚCUBO” Capítulo 5

Sexta-feira, 11:02 hs. Em uma das quatro salas de reunião do prédio da P.R.ONLINE Propaganda e Consultoria realizam-se as boas vindas a Catharina Upeck ,onde ela é apresentada aos outros sócios e diretores. Ela se sai bem na reunião. Um jeito de falar pomposo, mas cheio de personalidade que cativa a todos. É claro que não da verdadeira Catharina e sim por causa do demônio em seu corpo. Catharina assiste a tudo de dentro de sua cabeça. Passa-lhe um turbilhão de informações e ela se pergunta como esse monte de informações não interfere o raciocíno do demônio. Durante todo esse tempo ela não tivera acesso à mente da besta nem por um misero segundo. A jovem sente-se presa numa cela vazia, apenas com uma janela por onde ela pode vislumbrar o mundo exterior, mas sem com ele interagir. Apenas assistir. E vez ou outra uma voz lhe faz perguntas. A voz do demônio, não a voz que seu corpo emite para fora. A voz do demônio de verdade. É uma voz de mulher, mas uma voz cheia de malícia. Uma voz de atriz de filmes pornô. A impressão que Catharina tem é que seu timbre de voz se limitava a sons de gemidos de orgasmos. A reunião prossegue e sempre que a súcubo precisa de uma informação a mais, a voz ecoa pela sua sala vazia e logo Catharina involuntariamente responde. Por exemplo, quando foi indagada sobre há quanto tempo saira da faculdade de administração. A resposta: “Há dois anos” saiu de sua boca instantaneamente. Até mesmo o direito de omitir informações lhe é negado.

A reunião termina e as pessoas fazem fila para cumprimentar Catharina. Gentilmente ela retribui os gestos com uma educação inquestionável. Uma hipocrisia absurda.

Uma das diretoras se dispõe a mostrar o lugar. Uma mulher loira de cabelos presos. Levou-se muito tempo desde que o tour teve início naquele prédio gigantesco, Catharina olha a tudo com desinteresse, mas de repente, como um estalo de pensamento pergunta: “E quanto ao departamento de correspondência? Tenho uma carta para enviar.” Esse súbito interesse chama atenção de Catharina, mas permanece em silêncio.

– É no segundo andar, bem fácil de chegar, quer que eu a leve? – disse a diretora.

– Não precisa, ainda não escrevi. Vou para minha sala e depois eu mesma a levo. Mostraria minha sala?

– Claro, venha por aqui, mas se você quiser pode pedir ao mensageiro que venha é só ligar. Os números estão numa lista ao lado do telefone.

– É, pode ser, mas acho que descerei, assim fico conhecendo melhor o lugar.

– Fique à vontade. Aqui é sua sala. Se precisar de algo é só me ligar, meu nome é Brenda, está na lista também.

– Obrigada, Brenda!

A porta se fecha e Brenda vai embora. Catharina olha em volta, uma sala grande com uma mesa em mogno bem arrumada. Encontrou a tal lista ao lado do telefone. Achou o número da correspondência, mas não pretendia ligar. Procurou por envelope e papel nas gavetas, encontrou na terceira. Pegou a caneta no porta lápis e escreveu o endereço de seu tio. Colocou um papel em branco dentro e colou o envelope. Não pretendia escrever para ninguém, sua intenção era apenas conhecer o departamento, por isso escreveu o endereço de seu tio. Olhou o relógio sobre a mesa e saiu da sala, indo em direção ao elevador.

No segundo andar, Marcos, o rapaz da correspondência caminha pelo setor quando se dá conta de que os cadarços de seus sapatos desamarraram. Ele se abaixa e dá o nó. Neste momento percebe um par de sapatos pretos a sua frente que se aproximaram sem fazer ruído algum. Ele levanta o olhar e fica de frente ao zipper de uma calça. Há uma mão mencionando abri-la. Então Marcos dá um pulo para trás que o faz cair no chão gritando: “Que porra é essa, Jorginho?”

Então o homem baixo e gordo chamado Jorge Altuna, chefe do setor dá uma gargalhada que vem do fundo de sua barriga dando um eco grave.

– Há, há, há! Sacanagem! Leva numa boa, mané! Há, há, há, há!

Marcos se levanta e bronqueia com Jorge, que continua com um sorriso entre o cavanhaque preto que lhe dá aquele aspecto de completo sacana. O tipo de pessoa que perde o amigo, mas não perde a piada. Não que sejam verdadeiramente amigos, mas Jorge se aproveita de sua condição de chefe para sacanear seus subordinados. E é neste momento em que Catharina aparece. Olha bem para os dois homens à sua frente e identifica Marcos.

– Com licença! Mas é com você quem deixo isto? – mostrando a carta em sua mão.

Marcos gagueja ao olhar Catharina. É um misto de constrangimento pelo ocorrido anteriormente e de surpresa por ver uma mulher tão bonita e desconhecida naquele prédio onde todos os rostos lhe são familiares.

– N-não necessariamente, m-mas pode ser. Quero dizer, sou eu mesmo, mas não precisava ter vindo até aqui, eu poderia ter ido buscar, era só ligar.

– É que tenho um pouco de urgência, você entende, não? – ela aponta para o crachá dele e diz seu nome: “Marcos.”

A voz de Catharina neste momento é de uma sonoridade quase pornográfica. E seu olhar penetra os de Marcos como se fosse devorá-lo. Ela se vira e segue seu caminho, mas torce o pescoço para olhá-lo uma última vez. Seu andar é seguro e confiante. Uma mulher de classe que consegue derrubar os homens apenas com o andar. Marcos quase não acredita no que acontece e fica parado sem palavras, apreciando aquelas pernas. Até que ouve alguns gemidos desafinados atrás de si.

– Ahh! Ahh! Marcos! Ahh! Ahh! Marcos! – é Jorginho, mais uma vez fazendo o que sabe fazer de melhor. Irritar as pessoas com suas brincadeiras de mau-gosto.

– Pára com essa porra! – ordena Marcos, com um sorriso nos lábios.

– He, he, he! Sabe quem é ela?

– Não.

– É a tal Catharina, sobrinha do defunto.

– A nova sócia?

– É isso aí cara! E te deu o maior mole!

– Deu mesmo, não foi?

– Aí, vai dar mole? Ela é D-E-L-I-C-I-O-S-A!

– Fantástica mesmo!

– Fiquei sabendo que amanhã será a missa de sétimo dia da morte do tio dela, por que você não vai? Seria uma oportunidade de se aproximar…

– Que isso Jorginho, tá me dizendo pra cantar a mulher na missa do tio morto? Tá maluco?

– E por que não? Ela não me parece muito abalada e te deu maior condição agora.

– Faz a barba, bota uma roupinha preta bonita, penteia o cabelo e vai lá prestar seus respeitos. Oferece companhia e deixa fluir, saca?

– Assim disse o “pegador”!

– É só uma idéia, faz do jeito que achar melhor, mas que ela é gostosa, tem dinheiro e te deu mole, isso tudo é real e se eu fosse você não perderia isso.

– Sei lá!

– Bom, de qualquer modo volta pro trabalho seu “péla-saco”!

Marcos coloca a carta de Catharina junto das outras que precisava entregar e põe na mochila nas costas, se preparando para sair.

Súcubo

One Comments to ““SÚCUBO” Capítulo 5”

  1. Oi lindo olha eu aq te pertubando d novo
    me conta como sege ta o final
    manda mensagem (91)83804415

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