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“SÚCUBO” Capítulo 7

Sábado, igreja de Nossa Senhora Aparecida. Está ocorrendo a missa de sétimo dia da morte de Volnier Upeck. À porta da igreja está Marcos, vestindo a farda de seu finado pai militar. Marcos nunca entrou para as forças armadas. Sobrou por excesso de contingente, é claro que por ser filho de militar poderia entrar se quisesse, mas nunca quis seguir os passos de seu pai. A farda foi escolhida para causar uma boa impressão em Catharina. Ele fez como Jorginho o havia aconselhado. Penteou os cabelos e fez a barba. Se sente meio idiota e ainda se pergunta se ir essa missa usando a farda de seu pai é uma boa idéia, mas agora que já está na porta da igreja, ficou sem escolha. Voltar a essa altura seria idiotice. Mas ficar também era, o que não sabia é o que seria mais idiota. “Bom, vamos arriscar!”

Marcos adentra a igreja cheia de parentes de Volnier. Faz o sinal da cruz e senta-se em um dos bancos do fundo. Tenta encontrar Catharina no meio da multidão, acredita que esteja em algum dos primeiros bancos. Consegue ver uma nuca loira. “Deve ser ela!” E mais uma vez pensa se ficar é uma boa idéia. “Acho melhor sair enquanto ninguém ainda se deu conta que estou aqui!” E se levanta em direção a porta de entrada. Então é abordado por Catharina que está ao lado de uma pia. Catharina veste um terno preto básico com meias, também pretas, uma blusa branca e um lenço na testa, num estilo próprio, todo seu.

– Não sabia que era militar.

– Hã? Ah é, pois é. É isso mesmo.

– Puxa, que patente é essa, coronel? Nossa! Agora fiquei confusa, você não é mensageiro da P.R.Online?

– Sou sim, é claro que sou. É que deixei o exercito de lado.

– Sério? E por que fez isso?

– Minha mãe, ela não gostava.

– Isso não me parece verdade.

– Pois é, não é mesmo.

– Há, há… tentando impressionar alguém Marcos?

– É, você me pegou.

– Tudo bem, não precisa se envergonhar. Mas posso saber o que é?

– Vou ser honesto com você, fiquei impressionado com a forma que me olhou ontem, sabe! E fiquei sabendo da missa e vim prestar meus respeitos a você.

– Ah sim, obrigada!

– Mas me diga então, por que não está lá dentro?

– Não gosto desse lugar. Vem, vamos dar uma volta. – Os dois caminham lado a lado em direção ao estacionamento.

– Seu tio devia amar muito você!

– Fala da herança?

– Você não é de rodeios, não é verdade?

– Algumas pessoas dizem que chego a ser contundente muitas vezes. Mas sim, nos amávamos muito. Meu pai cometeu suicídio depois que faliu e minha mãe enlouqueceu bem antes disso. Não tinha condições de me criar então meu tio tomou conta de mim.

– Nossa! Deve ser difícil pra você perdê-lo.

– De fato, é uma grande perda.

Eu te odeio súcubo, brincando assim com meus sentimentos. Como pode ser tão estúpida?

– Mas porque não gosta de igrejas? – pergunta Marcos.

– Se eu te contar uma coisa, você promete que não vai se espantar?

– Claro. Pode contar.

– Bem, depois que fui morar com meu tio… Eu sempre gostei muito dele. Desde criança, quando vinha nos visitar, gostava da sua presença, trazia doces e presentes. Sempre me tratou muito bem. E depois que fiquei sob sua guarda o mimo foi maior ainda. Mas meu tio, assim como todo mundo, era um homem de segredos. Um deles era sua crença. Ele não acreditava no poder de Deus, ou que Deus fosse essa criatura incrivelmente boa que nos ama incondicionalmente, entende? Espero não estar te chateando com esse papo.

– Não, de jeito nenhum. Quero mesmo te conhecer.

– Pois bem, meu tio sempre achou que Lúcifer fora uma criatura injustiçada e que por isso nos entenderia melhor que Deus, afinal Deus, em sua condição de o todo poderoso não poderia entender a nós, criaturas humildes e limitadas. Mas Lúcifer vivia uma situação que permitiria nos compreender melhor que a Deus. Era nisso que meu tio acreditava.

– Seu tio era satanista?

– Pode-se dizer isso…

Como pôde contar isso a ele? Você é louca?

– Quando fiquei sabendo disso fui assistir a uma missa ministrada por ele. Eu tinha 12 anos quando isso aconteceu e como sempre gostei de meu tio e ele de mim, permiti que me desvirginasse diante de todos naquele ritual. Sim, Marcos. Transamos na frente de todos e oferecemos minha virgindade ao próprio demônio, não que Lúcifer tenha interesse por sangue de virgem, mas acredito que tenha se divertido muito ao nos ver naquele exibicionismo todo. E tinha também o ato de pedofilia, não é?

O que está dizendo, isso nunca aconteceu, você é louca? Onde quer chegar com isso?

– Você deve estar se perguntando então: “Por que uma missa católica para um homem assim? Se ele sequer respeitava as leis de Deus.” Bem, a família não sabia disso. Nem era conveniente que soubessem. Meu tio Volnier tinha uma posição na família e todos o respeitavam muito. E digo até que muitos o amavam de verdade. Embora outros amassem apenas seu dinheiro, assim como o meu pai. Sempre endividado, recorria ao meu tio quando precisava.

Mentira, meu pai não era assim!

– Ah Marcos, estou excitada. Toda essa história e você do meu lado. Quando o vi ontem fiquei completamente louca por você. Veja meu coração está disparado, sinta! Eu quero você Marcos. Quero muito você. _ ela pega a mão de Marcos e coloca em seu peito.

Marcos sua frio e não consegue assimilar tanta informação ao mesmo tempo. Não entende como aquela mulher pôde lhe contar aquilo tudo com tanta naturalidade e sem ao menos conhecê-lo. Ela só podia ser louca, mas era tão linda e seu corpo era fantástico. E de certa forma toda aquela história e sentir o peito de Catharina o deixara excitado. Marcos não entendia o que acontecia consigo mesmo e ao passo que desejava Catharina, sentia medo dela. Era tão direta e tão segura de si. Suas palavras eram coerentes e não delírios de uma louca. Ela o olhava diretamente nos olhos e sua boca o convidava ao beijo. Ela era irresistível, mas toda aquela história o deixara confuso. Percebia que com ela poderia sentir todo o prazer que o sexo pudesse lhe proporcionar, sem tabus ou limites. Mas então Marcos puxou sua mão e se afastou de Catharina. E correu. Correu e olhou para trás. Ela estava parada no mesmo lugar com o mesmo sorriso. Marcos sentiu que ela era o próprio demônio, mas era tentadora demais. Marcos estava confuso. Não sabia o que pensar. E em alguns lampejos se arrependia de ter corrido. “Afinal era uma garota excêntrica.” Assim tentava se convencer. Mas seria isso tudo verdade ou apenas um sarro. Ele segue confuso e realmente levou tempo até se dar conta que precisava de um ônibus para voltar para casa.

O que você fez? Você é louca, como pôde contar aquelas coisas pra ele? Coisas sobre mim, e aquele monte de mentiras, como pôde? O que pretende?

– Eu o desejo mais do que a qualquer coisa Catharina, você não tem idéia do quanto.

Súcubo

3 Comments to ““SÚCUBO” Capítulo 7”

  1. Hi there. I enjoyed “Aijo – “SÚCUBO” Capítulo 7″. It was nice. Come to my blog sometime.

    It’s harley davidson exhaust blog :).

  2. Estou impressionado de ler uma história tão poderosa sobre “SUCUBO” Capitulo 7 – Sucubo – – Aijo. Vou postar um link no meu site cupom para este blog . Eu estarei de volta para ler mais.

  3. Olha seu conto ta muito bom parabens pelo trabalho bem feito
    ia esquecendo
    me conta o final ta
    meu tele e (91)83804415

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